Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Não pago parquímetros por que não há dias úteis!

The Sweet Singing

My soul is like a painted boat
That like a sleeping swan doth float
Upon the silver waves of thy sweet singing

Charles Robert Anon

Propensity to Search

My chief mania was a morbid propensity to search for the cause ot things; I saw in all things cause and effect; lotteries raffles occupiedme long in striving to find out casuality. I would reason at everything and with everything.

Charles Robert Anon

Genius is a Disease

It was kind of disease - a perpetual pining for something which was I felt unobtainable; a longing for something so vague, so indefinably beautiful, that earth could not contain it. Affections, loves, relations of sex - all there seemed to me cold, so cold. Genius is a disease, a glorious disease, but a great one.

Charles Robert Anon (Fernando Pessoa)

Apolo a Neptuno



Apolo a Neptuno disse:
«Vem, vou engolir o mar!»
Mas Neptuno riu qual criança
o seu pueril contentamento,
E exclamou: «Se pudesses, engolias a terra
e o infinito»
E o poeta que percebeu o símbolo
Sentiu a sua miséria

Fernando Pessoa

Fábulas para as Nações Jovens - O segredo de Roma



Quando César chegou tarde ao fim do campo de Pharsália, ergueram rápidos perante ele a cabeça de Pompeu. César abriu em lágrimas, e os que estavam pasmaram. O que erguera a cabeça, baixou-a um pouco;estava atónito, e além disso ela pesava, porque ele a erguera a braço largo.
-Assim, que vale uma vitória? perguntou César.
-É certo, respondeu o que o seguia, pois não sabia o que dizer.
E César continuou. «Foi meu amigo, meu companheiro, era romano e soldado...»
E depois disse, «Cheguei tarde...»
O companheiro esboçou um gesto sem nada, e César voltou as costas curvas de dor.
«Cheguei tarde» repetiu. «Queria tê-lo eu matado com as minhas mãos»

Moralidade: Cuidado com as lágrimas, quando são estadistas os que as choram.

Fernando Pessoa

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

World Press Photo 2008

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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Conta a lenda que dormia Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida, Se espera, dormindo espera. Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino - Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E, vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora. E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

Contemplo o que não vejo

Contemplo o que não vejo. É tarde, é quase escuro. E quanto em mim desejo Está parado ante o muro. Por cima o céu é grande; Sinto árvores além; Embora o vento abrande, Há folhas em vaivém. Tudo é do outro lado, No que há e no que penso. Nem há ramo agitado Que o céu não seja imenso. Confunde-se o que existe Com o que durmo e sou. Não sinto, não sou triste. Mas triste é o que estou.

Fernando Pessoa

Azul, ou verde, ou roxo

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Azul, ou verde, ou roxo quando o sol
O doura falsamente de vermelho,
O mar é áspero (?), casual (?) ou mol(e),
É uma vez abismo e outra espelho.

Ricardo Reis

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Pompa e Circustância- Elgar



Fantasia 2000

The Pomp and Circumstance Marches, Op. 39 are a series of five marches for orchestra composed by Sir Edward Elgar.
The title is taken from Act III of Shakespeare's Othello:

"Farewell the neighing steed, and the shrill trump,
The spirit-stirring drum, the ear-piercing fife,
The royal banner, and all quality,
Pride, pomp, and circumstance of glorious war!".

in wikipedia

Rhapsody in Blue - Gershwin



Fantasia 2000

Miroirs, No. 5 La vallee des cloches - Ravel / Os sinos I

Escuta: nos renós tilintam sinos argentinos!Ah! que de mundo de alegria o som cantante prenuncia!Como tinem, lindo, lindo,no ar da noite fria e bela!Vão tinindo e o céu inteiro se constela, florescente, refulgindo com deleites cristalinos!Dão ao Tempo uma cadência tão constante como um rúnico descante, com os tintinabulares, pequeninos sons, bem finos, que nascendo vão dos sinos, sim, dos sinos, sim, dos sinos, saltitantes, bimbalhantes, dentre os sinos.

Edgar Allan Poe

Jeux d'eau - Ravel / A água chia no púcaro que elevo à boca



A água chia no púcaro que elevo à boca. «É um som fresco» diz-me quem me dá a bebê-la. Sorrio. O som é só um som de chiar. Bebo a água sem ouvir nada com a minha garganta.

Alberto Caeiro

Arabesque No 1 - Debussy

Arranjo por Naoko Takada

Arabesque No 1 - Debussy

Claire de Lune

Arranjo feito por Laurindo Almeida

Claire de Lune - Debussy



The Suite bergamasque (IPA: /'bɛʀgamask/) is one of the most famous piano suites of Claude Debussy. It was likely named after Paul Verlaine's poem "Clair de lune", which references a bergamask. It was published in 1903 and consists of four parts, or movements.
  1. Prélude
  2. Menuet
  3. Clair de lune
  4. Passepied

The Prélude is played in the key of F, tempo rubato. It is full of dynamic contrasts with a very spectacular beginning and ending. The second movement is entitled Menuet, according to the typical Baroque suite form. It is quite mysterious, yet playful during its pianissimo parts and shows interesting harmonies. It is followed by the well-known Clair de lune (Moonlight), a very soft and tender masterpiece of Debussy, played mostly pianissimo. Finally, the Passepied is played in F-sharp minor, allegretto ma non troppo; it is again playful and ends with a very quiet part after going through a section in C minor

in wikipedia

O sonhador é que é o homem de acção

Quando vim primeiro para Lisboa, havia, no andar lá de cima de onde morávamos, um som de piano tocado em escalas, aprendizagem monótona da menina que nunca vi. Descubro hoje que (...) tenho ainda nas caves da alma (...) as escalas repetidas, tecladas, da menina hoje senhora outra, ou morta e fechada num lugar branco onde verdejam negros os ciprestes.

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

Chiesa del Gesù di Roma