Sábado, Novembro 24, 2007

Chopin Nocturne in C# minor

Bach Toccata and fugue in D minor



Transcriçao desta tocatta e fuga por Katsaris.

Schubert - Impromptus Op. 90, N. 4

Concerto nº 3 para Piano - Rachmaninov

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Três Anos "Ou Então Não" - No Breve Número


No breve número de doze meses
O ano passa, e breves são os anos,
Poucos a vida dura.
Que são doze ou sessenta na floresta
Dos números, e quanto pouco falta
Para o fim do futuro!
Dois terços já, tão rápido, do curso
Que me é imposto correr descendo, passo.
Apresso, e breve acabo.
Dado em declive deixo, e invito apresso
O moribundo passo


Ricardo Reis

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Aquela senhora tem um piano


Aquela senhora tem um piano

Que é agradável mas não é o correr dos rios

Nem o murmúrio que as árvores fazem ...

Para que é preciso ter um piano?

O melhor é ter ouvidos

E amar a Natureza


Alberto Caeiro

Ao longe, ao luar

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela ?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça ?
Que amor não se explica ?
É a vela que passa
Na noite que fica.


Fernando Pessoa

Acordar



Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras, Acordar da Rua do Ouro, Acordar do Rocio, às portas dos cafés, Acordar E no meio de tudo a gare, que nunca dorme, Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono. Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar, Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo. À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma, E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo. Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne, Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha, Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom, São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada, Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes, Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste, Seja A mulher que chora baixinho Entre o ruído da multidão em vivas... O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito, Cheio de individualidade para quem repara... O arcanjo isolado, escultura numa catedral, Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã, Tudo isto tende para o mesmo centro, Busca encontrar-se e fundir-se Na minha alma. Eu adoro todas as coisas E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. Tenho pela vida um interesse ávido Que busca compreendê-la sentindo-a muito. Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, Para aumentar com isso a minha personalidade. Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio E a minha ambição era trazer o universo ao colo Como uma criança a quem a ama beija. Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo Do que as que vi ou verei. Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. Dá-me lírios, lírios E rosas também. Dá-me rosas, rosas, E lírios também, Crisântemos, dálias, Violetas, e os girassóis Acima de todas as flores... Deita-me as mancheias, Por cima da alma, Dá-me rosas, rosas, E lírios também... Meu coração chora Na sombra dos parques, Não tem quem o console Verdadeiramente, Excepto a própria sombra dos parques Entrando-me na alma, Através do pranto. Dá-me rosas, rosas, E lirios também... Minha dor é velha Como um frasco de essência cheio de pó. Minha dor é inútil Como uma gaiola numa terra onde não há aves, E minha dor é silenciosa e triste Como a parte da praia onde o mar não chega. Chego às janelas Dos palácios arruinados E cismo de dentro para fora Para me consolar do presente. Dá-me rosas, rosas, E lírios também... Mas por mais rosas e lírios que me dês, Eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, Sobrar-me-á sempre de que desejar, Como um palco deserto. Por isso, não te importes com o que eu penso, E muito embora o que eu te peça Te pareça que não quer dizer nada, Minha pobre criança tísica, Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios, Dá-me rosas, rosas, E lírios também..


Álvaro de Campos



Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não, do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe

de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos

nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro

Para contarte, canto
quiero que sepas cuánto

me haces bien

me haces bien

me haces bien

Te quiero de mil modos
te quiero sobre todos

me haces bien

me haces bien

me haces bien

Fado do Encontro - Versão Marretas



Vou andando Cantando Tenho o sol à minha frente Tão quente, brilhante Sinto o fogo à flor da pele Tão quente, beijando Como se fosses tu Ao longe, Distante, Fica o mar no horizonte É nele, por certo Onde a tua alma se esconde Carente, esperando Esse mar és tu Pode a noite ter outra cor Pode o vento ser mais frio Pode a lua subir no céu Eu já vou descendo o rio... Na foz Revolta Fecho os olhos penso em ti Tão perto Que desperto Há uma alma à minha frente tão quente, Beijando Por certo que és tu Pode a lua subir no céu E as nuvens a noite toldar Pode o escuro ser como breu Acabei por t'encontrar Vou andando Cantando Tive o sol à minha frente Tão quente brilhando Que a saudade me deixou Pra sempre, por certo O meu Amor és tu

Fados



Um filme fantástico dirigido por Carlos Saura. A não perder!

Sábado, Novembro 03, 2007

Concerto para piano e orquestra Fa menor - Bach