Terça-feira, Abril 24, 2007

Don't worry________ "Stay" happy!!


Quarta-feira, Abril 18, 2007

Estás só. Ninguém o sabe.

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge sem fingimento. Nada 'speres que em ti já não exista, Cada um consigo é triste. Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, Sorte se a sorte é dada!
Ricardo Reis (Versão prosa)

Atrás Não Torna

Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve
Sua face, Saturno.
Sua severa fronte reconhece
Só o lugar do futuro.
Não temos mais decerto que o instante
Em que o pensamos certo.
Não o pensemos, pois, mas o façamos
Certo sem pensamento.

Ricardo Reis

Antes de Nós

Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.

Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?

Ricardo Reis

Yellow brick road


Preciso de terminar o precurso da estada de tijolos amarelos e esquecer o Kansas.

Terça-feira, Abril 17, 2007



Obrigado pela sugestão "Maria"

;)

Beethoven - Sonata ao Luar - 3º Andamento



De todos os filmes que vi no YouTube esta foi a interpretação que mais gostei. O intérprete é Wilhelm Kempff.

Sábado, Abril 14, 2007

Missões Universitárias - Évora!
















Quinta-feira, Abril 12, 2007

3 Down

Crónica - "Chopin é um frango"

Os meus pais a quem a minha indiferença escolar preocupava (passei o liceu a fumar às escondidas e a pasmar para a mulher do farmacêutico e a universidade a jogar xadrez num cubículo sem janelas logo a seguir ao vestiário)
trataram de arranjar explicadores decididos a meterem-me na cabeça, à força, o que eu me recusava a prender. Entre outros carrascos contrataram, tinha eu 13 ou 14 anos e uma alergia às aulas, um homem gordo que se deveria ocupar a fazer-me entrar num êxtase com o desenho geométrico, amontoando cubos, cilindros e pirâmides, a traçejado e a cheio, em papel cavalinho. Era num segundo andar aos Jardim das Amoreiras que cheirava a entretela e a almôndegas, o carrasco, o careca, suava de desespero a rosnar
-Camelo
enquanto eu, em lugar de ouvir, escutava as lições de piano do prédio vizinho no qual uma menina
(tinha a certeza que era uma menina de laço cor-de-rosa no cabelo, arame nos dentes e soquetes brancos)
tocava Chopin como quem arranca penas a um frango vivo. O sofrimento do frango quase me fazia chorar de puro dó e no dia seguinte dava por mim perplexo diante da canja do almoço, à cata de semifusas entre as bolhas de azeite e a garantir à minha mãe afastando o prato com a mão
-Não quero comer Chopin
com ela a olhar também a sopa, receosa de que houvesse uma Polonaise ou um Nocturno a flutuar entre os míudos. A minha repulsa por carne de galinha ia aumentando com as aulas do Jardim das Amoreiras em que me aptecia abandonar o careca para salvar o compositor moribundo dos dedos assassinos da menina de arame nos molares, levá-lo para casa debaixo do braço e deixá-lo em paz na capoeira a escrever as suas valsas repimpando no poleiro. Sempre que a canja regressava eu ia argumentando inabalável
-Não mastigo músicos
recordado de Chopin assassinado, três vezes por semana, à esquerda da projecção das esferas. Da canja passei ao vol-au-vent, às empadas, ao arroz de galinha e ao frango de churrasco, após o que principei a recusar-me a ir à Feira Popular em cujos restaurantes giravam em espetos, com homens de avental a convidarem-me para banquetes antropófagos, dezenas de Chopins a pingarem gordura nas brasas.
Ainda hoje, passado algum tempo, me aptece processar aviários e lançar fogo a todos os Reis dos Frangos que encontro por Lisboa, cheios de gente a chupar ossinhos de colcheias e a deitar piripiri em asas de allegrettos. Tenho a certeza que a menina de laço no cabelo continua, no prédio do Jardim, de que as arcadas se dissolvem à tarde quando os bandos de pombos levantam voo da pedra, a arrancar penas e ais a um piano de agonia.
Estou certo que aos domingos todo o mundo engole Chopin com batatas fritas Pala-Pala, juntamente com as queijadas compradas no passeio da Opel a Sintra. Ninguém fala. Ninguém se preocupa. Ninguém se interessa. Ninguém protesta. O Greenpeace não faz nada. A Amnistia Internacional emudece. Os Direitos do Homem omitem. Mas posso assegurar-vos que sempre que me coloco à porta de uma cervejaria de churrascos oiço as tripas dos clientes que saem de palitos na boca a maldizer o Governo (as pessoas de palito na boca maldizem o Governo e as que nem palito têm maldizem a vida)
oiço as tripas dos clientes, dizia, tocarem borborigmos de chaves de sol que uma camada de bagaço amortece.

António Lobo Antunes
- Algumas Crónicas

2 Down...


A não perder...

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Centésimo vigésimo terceiro post



1

















2















3

Vaga, no azul amplo

Vaga, no azul amplo solta,

Vai uma nuvem errando.

O meu passado não volta.

Não é o que estou chorando.


O que choro é diferente.

Entra mais na alma da alma.

Mas como, no céu sem gente,

A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza

E a lembrança é que entristece,

Dou à saudade a riqueza

De emoção que a hora tece.


Mas, em verdade, o que chora

Na minha amarga ansiedade

Mais alto que a nuvem mora,

Está para além da saudade.


Não sei o que é nem consinto

À alma que o saiba bem.

Visto da dor com que minto

Dor que a minha alma tem.



Fernando Pessoa

Terça-feira, Abril 10, 2007

Évora - Ebora Cerealis - Liberalitas Julia